sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Joey



"Na mão direita uma garrafa de vidro com um pano dentro, banhado de gasolina e uma ponta pra fora, na outra um esqueiro pronto para acender. Na sua visão, uma viatura parada da policia militar..."

Era só mais um domingo comum, ensolarado e um ar de monotonia dominava o quarto de um largado jovem de moicanos longos e coturno estourado. Joey, como era chamado pelos seus amigos, acordava com um halito desagradável que cheirava a whisky barato, mal conseguia abrir seus olhos, depois de levantar do colchão furado que dormia, bateu a mão em sua roupa para tirar a poera, pegou sua melhor jaqueta de couro jogada no chão e saiu de casa na intenção de não voltar mais. Ele não era bom em fazer amigos, tinha poucos, porem, verdadeiros. Sua vida não foi la das melhores, mãe morta no parto e pai morto de cirrose, clichê para um garoto da classe média alta se revoltar. Cresceu em meio a dinheiro e joias caras, mas desde que começou a entender a realidade da sociedade de baixa renda, cada vez mais explorada pelo grande sistema corrupto, deixou a vida de playboyzinho de lado.
Enquanto ele saia de casa encontrou Fred, seu melhor amigo, que corria afobado e assustado. Joey perguntou o que havia acontecido e se surpreendeu quando o amigo lhe contou. Policias estavam fazendo varreduras em seu bairro, procuravam por traficantes de cocaína. Fred havia sido abordado e estava sem se quer um cigarro, revoltados com a situação, os militares dispararam tiros no chão afim de faze-lo correr, e se divertiam com tal situação.
Joey nunca foi um herói, mas não poderia ficar parado, já que a policia militar não era seu assunto preferido. Não pensou muito, correu para seu quarto, voltou com um molotov e um esqueiro, e disse para o amigo que ele iria assar alguns porcos. Correu até o local do ocorrido, se escondeu atras de um carro e observava os militares conversarem e rirem. Quando os soldados entraram na viatura e a ligaram, Joey saltou por cima do carro e gritou "Porcos Fardados", sem tempo pra pensar, ele arremessou o molotov aceso diretamente em direção ao painel do carro. A bomba se desfez, a gasolina espalhava pelo viatura banhada em chamas, os militares se debatiam no chão para apagar o fogo. Joey se afastou devagar e admirava a cena e sua atitude.
De todas as loucuras que já tivera feito, nada se comparava com o que ele havia acabado de fazer.
Quando chegou a sua casa, contou para o amigo, que não acreditava na história. Explicou, que não tinha feito por vingança, mas sim para mostrar que ninguém tem o direito de te tirar o respeito, que somos iguais e não precisamos ser controlados ou domesticados.
Depois da conversa Joey fuçou a geladeira e achou uma garrafa de Vodka sem rotulo, deu algumas goladas e disse para o amigo : O que fiz hoje, não foi nada perto do que poderiamos fazer juntos, se as pessoas não fossem cegas o bastante para apenas enxergarem o que querem. Somos iludidos toda manhã quando olhamos pela janela, somos enganados quando vamos nos bancos pagar nosso impostos. O que falta para que tudo entre nos conformes, são as pessoas acreditarem que não vivemos em paz e sim controlados.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Johnny Hansen

                                             

" 1983 - a cena clássica de um astro do rock em seu quarto, encostado na parede, cabeça baixa, respiração ofegante, do seu lado uma seringa enferrujada em cima de uma folha que descrevia tal trajetória de vida . Era só mais um roqueiro cometendo seu suicídio carnal..."

Era uma manhã chuvosa, o quarto de Johnny estava completamente desarrumado, mais do que o normal, a cama estava virada de ponta cabeça, os posteres de bandas, todos estavam no chão. Ele chorava com um riso estampado no rosto, olhava em direção a Natalie, sua namorada que estava caída, seu nariz escorria sangue, ela já não respirava mais. Johnny não era lá dos melhores namorados mas tinha tal confiança em Natalie que jamais teve com alguém.
A dois meses atrás em um evento com sua banda a RedSkulls, Johnny parecia nervoso para a apresentação daquela noite, fumava compulsivamente sem parar, já havia esvaziado varias garrafas de cerveja e as varias capsulas de cocaína que ficaram jogadas ao redor do camarim. Mas, nada o poderia impedir de subir no palco para o show. Nada, nem mesmo o desespero de Natalie, que tentava acalma-lo. A hora mais esperada estava para chegar, as pessoas gritavam o nome da sua banda. Johnny deu um beijo na testa de Natalie, pegou sua guitarra Gibson e fez um solo inicial inesperado pelos seus colegas de banda, riffs e arpejos velozes e agressivos, seus dedos pareciam estar cantando uma canção amplificada do rock n' roll. As pessoas se debatiam, gritavam e adoravam aquele solo, e Johnny não demonstrava empolgação, mantia a face tranquila e debochada. Terminou o solo e a banda começou a tocar, no começo da primeira música Johnny arremessa sua guitarra diretamente na bateria e desce do palco abraçando Natalie e deixando o local. Ele não precisava mais daquilo, tudo não passava de um objetivo alcançado.
A cada dia que se passava uma nova correspondência, propostas e mais propostas de discos e participações especiais. Natalie queimava todas as cartas de empresários e propostas, enquanto Johnny permanecia em seu quarto escrevendo o que ela achava ser uma música, o que a alegrava de pensar que ele só estava passando por uma fase ruim. Após cinco dias sem comer e durmir, Johnny sai do quarto, a abraça e a beija apaixonadamente, lhe mostra a folha de caderno com os rabisco que havia escrito.

"Eu fui Johnny Hansen, guitarrista da banda RedSkulls, o melhor e mais rápido guitarrista que vocês viram.
E vocês gostaram? Me idolatraram? Sim!
Mas, o que me faz ser diferente de vocês? 
Minhas tatuagens pelo corpo? Meu cabelo bagunçado?
Se eu lhe mostrei o que posso e sou capaz de fazer, por que não fazem o mesmo?
Eu cheguei onde gostaria de chegar e até passei do ponto de saber o que mais eu quero.
Eu tenho tudo o que eu quero e a hora que quero, não posso ser exemplo do que para mim já não faz mais nenhum sentido. Estou cheio das pessoas se espelharem em mim se não tenho mais o que conquistar.
Eu não posso mais viver em meio a vocês. Preciso parar [...]"

Os olhos pintados delicadamente de preto, borravam a cada gota de lagrima que ela deixava cair, terminou de ler a carta e o abraçou, o mais apertado que podia. No rádio tocava She do KISS, o que levou a uma cena de amor selvagem e apaixonante, a noite intera. Na manhã seguinte Johnny acorda e não encontra Natalie do seu lado, apenas um pedaço de papel escrito com batom: "Eu vou com você, pra onde você for."
Quando Johnny levanta-se da cama, se depara com a imagem de Natalie caída. Overdose era pouco pra diagnosticar a morte. Ele corre para seu guarda-roupa, na ultima gaveta guardava uma boa dose de heroína e cocaína que havia conseguido para tal ato. Sem pensar, aplica, chora e sorri ao olhar Natalie, refletindo seus momentos bons e aguarda seu esperado descanso interior, olhando o cadáver de seu amor segurando sua primeira palheta. Não queria fama, não queria dinheiro, ele queria um amor, paz e tranquilidade.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Mary Jane


" Ela não era só mais uma garota comum, ela nunca foi uma garota comum. Todos que conheceram, jamais irão esquecer..."

Cabelos ruivos, corpo bem distribuído, lábios carnudos com o batom vermelho que ela adora passar.  Poucos a viram pessoalmente, muitos ouvem falar. Ela sempre foi de deixar rastro por onde passa, sempre soube o ponto fraco de todo homem. Encanta por onde passa com seu jeito único, deixando o gosto de vê-la outra vez. Sabe te fazer esquecer seu problema com um beijo, sabe como te fazer sonhar acordado, sabe como te fazer sentir sua falta. Ela não tem dono, gosta de ser de todos, o seu beijo ninguém esquece, mordidas na boca, marcas no corpo e o seu cheiro exala no "suor a dois". Mary Jane nunca para em algum lugar, a garota perfeita de muitos jovens que ainda sonham em a encontrar, provar de seu beijo doido e sentir a sensação de não pensar em futuro, passado e somente no agora.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Mágoa


"Difícil descrever uma simples palavra de cinco letras, difícil entender o por que dela existir e controlar nossos sentimentos..."

Somos herdados desde pequenos com simples sentimentos infantis como a tristeza e a alegria. O amor, o sentimento mais belo e mais complicado, descobrimos aos poucos com o crescimento da confiança de quem aprendemos a gostar. A mágoa acaba sendo o pior sentimento que sentimos, ela se funde totalmente com a tristeza fincando em nossos corações uma dor profunda, onde nos prendemos e sofremos.

Uma pessoa bem vivida saberia responder o por quê desse sentimento existir? Saberia dar um conselho para prevenir tal sentimento que nos abala tanto? A resposta é simples, não. Cada pessoa tende a pensar de um modo, por mais que se espelhe em alguem que conheça ou que admira muito, ela guarda dentro de si a sua própria personalidade, rodeadas de sentimentos reprimidos ou até mesmo oprimidos demais, ou seja, cada pessoa é o que é. Todos nós temos nossas próprias opiniões para agir a tal situação. E a mágoa aparece de acordo com o modo que agimos em situações que houver a decepção, ela retrata uma ferida no peito que quando tocamos desperta uma breve dor.

Como todo sentimento ruim, nós podemos supera-la. É muito fácil dizer a algum amigo: "Esquece...já passou...". Mas para quem a vive tem de ser forte e persistir em busca da felicidade e compreensão. Isso não se trata apenas de decepções amorosas, mas também de uma perda de ente querido, uma briga de familia ou até mesmo de uma amizade perdida. Talvez sofremos muito tempo por nos prendermos cada vez mais a esse sentimento que toma conta do nosso passado, então por que não recordar as coisas boas? Deixar de lado a tristeza dos nossos momentos ruins. Viver o presente sem se reprimir ao medo e enterrar a mágoa junto ao passado que já se foi.

sábado, 11 de dezembro de 2010

A Experiência de um Jardineiro



"...Bendito seja Deus por criar as flores, seres vivos imóveis que também respiram, se alimentam e ainda decoram o ambiente com tal delicadeza e beleza indescritível..."

Era uma bela manhã de sexta ensolarada, em uma casa simples no interior da cidade. A casa era composta de quatro cômodos: sala, cozinha, banheiro e quarto. No quarto uma TV ligada no noticiário do dia, roupas sujas pelo chão e um macacão jeans meio desbotado pendurado na parede. Na cama se encontrava um homem sonhando com sua infância que vivera. Um criado mudo ao lado da cama suportava um vaso com uma rosa morrendo e um despertador que marcava oito horas e apitava sem parar. O homem despertou-se depressa parecia estar atrasado, vestiu seu macacão, colocou um chapéu para se proteger do sol e saiu apressado com alguns utensílios a qual usava em seu trabalho. A caminho de seu destino, o homem olhava com outros olhos a felicidades das pessoas logo de manhã, o "Bom dia" sincero dos vizinhos, o sorriso e o brilho do olhar de uma dona de casa se despedindo do marido que iria trabalhar. Ele sorriu, e cumprimentava todos por onde passava mesmo não conhecendo-os.

Chegando ao seu destino, ele olhou uma bela mansão, onde se encontrava um lindo jardim, o qual teria de cuidar. Jogou a bolsa com suas ferramentas no chão e apertou a campainha da casa. Uma bela voz feminina o atendeu perguntando quem era e o que queria. Ele respondeu que era o jardineiro que foi contratado para trabalhar na casa. Um estalo de trinca ocorreu no portão que se abriu automaticamente. Enquanto entrava na casa e observava a sua beleza infinita, foi recepcionado por uma mulher muito atraente, ela usava a parte de cima de um biquíni e uma canga na cintura tampando a visão de qualquer homem que tenha bom gosto. A mulher o levou até o jardim, onde ele ficou admirado com a variedade de tipo e beleza das lindas flores que ali se encontravam. Foi-se preparando então para trabalhar, encheu seu regador de agua e foi aguar as flores. Observando-o sentada em um banco no meio do jardim a mulher perguntou ao jardineiro a quanto tempo ele trabalhava nesse ramo. O jardineiro era muito experiente, trabalhava com isso a anos, para ele as flores eram como pessoas. Ele explicou toda sua experiência com flores a ela, que se interessou muito.

Enquanto regava uma margarida ele contava uma lenda, que uma fada alimentava um príncipe com alimentos que continham essa flor, para que ele nunca crescesse e nem perdesse a inocência infantil, isso o fazia lembrar de uma amiga da adolescência que sempre conseguia despertar o seu lado infantil. Ao lado das margarida, se encontravam orquídeas de todas as cores e tamanhos. Quando foi rega-las contou que as orquídeas o fazia lembrar das mães, que sempre querem proteger seus filhos das influências negativas, pois esse é o significado dessa flor no japão. A mulher se sentia cada vez mais entretida com a explicação do jardineiro que olhava as flores como se fosse a primeira vez que admirava.

A tarde foi chegando e dentre as violentas trepadeiras que domavam um canto do jardim, o jardineiro olhou as flores como se estivesse se despedindo. A bela mulher não compreendia tal admiração por apenas flores que só serviam para decorar, talvez os Crisântemos que ali se encontravam dessem uma alegria a mais ao local com suas cores chamativas, mas para ela ainda eram apenas flores. Juntando suas ferramentas e um pouco cansado do vasto trabalho e explicações o jardineiro se despedia da mulher, explicou que voltaria amanhã no mesmo horário. Foi saindo tranqüilamente quando a mulher o chamou a atenção, apontando para algumas rosas que se encontravam no lugar mais belo do jardim. Ele se calou e fechou os olhos. Curiosa, a mulher pergunto se ele se lembrava de algo com elas, qual era sua história e por que o jardineiro nem as tocou. Arrumando seu chapéu suado pelo forte sol que fazia, ele explicou que a rosa o lembrava um verdadeiro amor, o qual sofreu bastante. A beleza da rosa lembrava sua amada, cujo a perfeição e o simbolismo retocavam a face dela perfeitamente em sua mente. E quando ele olhava para os espinhos se lembrava do que sofreu e chorou. Um silencio tomou o local e ele explicou que essa era a representação, sua beleza e perfume simbolizam o amor, e seus espinhos, o sofrimento que ele pode causar.

O homem se virou calado e saiu. A mulher compreendeu, e com tanta sinceridade que lhe foi passada a história, se rendeu a uma leve tristeza. De cabeça baixa e com lagrimas presas, o jardineiro foi chegando em sua casa, entrou e sentou em sua cama. Olhou para rosa já quase morta, pegou um copo de vidro americano com água e aguando a flor ele sorriu.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

A Máscara da Perfeição


"...pobre o homem que não mostra seus verdadeiros gostos e idéias, que tranca seus sentimentos dentro de uma caixa cujo a chave não existe. Por que? Pra ser apenas mais um tentando agradar a todos, movido pelos gostos e sentimentos de uma outra pessoa ..."



Foi triste quando em uma roda de amigos perguntaram para um jovem se ele já havia amado alguém de verdade. Me recordo que ele abaixou a cabeça, refletiu sobre algumas meninas que já tinha dito "eu te amo" sem sentir um grande afeto. Pensou e pensou, ergueu a cabeça e disse que ele vivia no mundo dele, ninguém o conhecia por completo, o que ele havia passado com elas não era uma ilusão, tudo era real, mas ele pensava em agrada-las mais do que agradar a si próprio. Era como se ele controlasse uma marionete para divertir crianças, mas ele fazia isso consigo mesmo afim de deixar alguem feliz.

Os amigos que ali se encontravam ficaram calados, ninguém pronunciou uma palavra se quer. O menino levantou-se e saiu andando sem se despedir. Já era noite, sob as luzes falhadas dos postes das ruas desertas ele andava pensando no porque escondia dentro de si o que realmente sentia, pensava no medo de dizer não aos amigos, no medo de não agradar a todos como ele realmente era.
Perto de sua casa havia uma menina a qual ele já havia namorado, ela estava sentada na calçada sozinha, acompanhada apenas com seu celular que tocava uma música que marcava um passado amoroso inapagável. O cheiro do perfume dela já domava o local onde ele passava, a troca de olhares foi intensa e ele parou. Um silêncio tomou conta do local, parecia que a musica de fundo do celular já não tocava mais, ela levantou e com um olhar fixo e as mãos trêmulas ela o abraçou. Ele fechou os olhos e sorriu.

Realmente ele se sentia feliz, demonstrava tal felicidade pela força que a abraçava. E os dois ficaram minutos se abraçando sem dizer alguma palavra, então ela olhou para ele com os olhos lacrimejando e disse que não conseguia esquece-lo e que ainda o amava. Era a hora certa dele quebrar suas mascaras, falar o que realmente sentia, demonstrar seu sentimento. Ele recuou. Se explicou dizendo que gostava muito dela, mas seria melhor assim, e em passos mais rápidos foi deixando a para trás.

Chegou em sua casa, estava pensativo, deitou em sua cama, olhou para o teto e começou a concluir seu dia. E piscando lentamente sob o sono que o consumia, sorriu e se agradeceu por fazer o que realmente queria, quebrou sua mascara de perfeição e mentiras...